Travesseiro da NASA

Ok, minha esposa inventou que o meu travesseiro de penas de ganso estava velho demais. Eu não acho, tudo bem que estava voando penas pra tudo quanto é lado de vez em quando … quer dizer, praticamente todo o dia, mas eu me apego às coisas … travesseiro é um negócio difícil de acostumar.

Estávamos no shopping e ela inventou de parar numa dessas lojas de colchões para olhar um travesseiro para me dar de presente. Diversos modelos e tamanhos … difícil de escolher.

Já tinha ouvido falar num tal de “travesseiro da NASA”. Num tom irônico e certo de uma resposta negativa perguntei para a atendente: “Você não tem aquele travesseiro da NASA ?”. Hehehe. E não é que ela tinha ?

Foi numa salinha especial, abriu algumas gavetas, tirou protetores, como se estivesse pegando algo realmente misterioso e bastante valioso. “Aqui está”, ela respondeu. “Possui uma espuma especial, que adere ao formato do seu rosto e, além disso, a tecnologia desenvolvida pela NASA impede que a espuma deforme com o tempo. “Uau !”, pensei. O négocio parece um chiclete, massa de modelar, ou sei lá o que.

“Hmm, quanto custa ?”. “80 reais”. Ann ? “Meu bem, eu não preciso disso !”, retruquei. 80 pilas num travesseiro ??? Minha esposa afirmou que seria um presente dela pra mim. Grrr, minha ranzinzice estava atacada, quando a gente casa o dinheiro é um só.

Ok, ok ! Travesseiro novo … e é da NASA !!!

A máquina do cartão da minha esposa estava com problema. “Amo-or, posso passar no seu ???” 🙂 Grr, e ainda sou EU quem vai pagar essa coisa ??? (ranzinzice no nível máximo).

Pois é, caríssimo internauta. Lá fomos nós com o travesseiro da NASA pra casa. É preciso esperar um dia para usar, tem que sair um cheiro horrível de sei-lá-o-que da espuma.

Alguns dias mais calmo começo a dormir percebendo mais atentamente o travesseiro. Suave, bastante anatômico, cheirinho agradável …

Hmmm, hoje eu durmo a ver estrelas com o travesseiro da NASA.

O Amor e o Sorvete

Estou em um dia pouco ranzinza, então posto aqui um conto rrrrrrromântico da minha própria “autonomia” escrito há alguns poucos anos atrás.

“Quando chego na praça Cairú e olho pra cima o que é que vê ? Vê o Elevador Lacerda que vive a subir e a descer …”

A Baía de Todos os Santos é realmente linda. Do alto da Ladeira da Montanha vê-se, de um lado a probreza dos casebres, botecos e prostíbulos e, do outro a beleza da Baía ou as lindas construções antigas da Igreja da Conceição da Praia. Em constantes e rotineiras andanças por esta região, a princípio por mim tão repudiadas, lentamente surgem detalhes interessantes sobre a vida, cultura e hábitos dessa parte da cidade.

O alegre vendedor de doces (incluindo um delicioso doce de banana na palha, rapadura, bolachinhas de goma …) que afirma: “O doce é novo, de velho aqui só eu !”. A falsa cigana que colocou duas pedrinhas vermelhas na minha mão e pediu para eu guardar no bolso. Fiquei 2 dias procurando as pedrinhas para jogar fora (e junto com elas o mal olhado) e não consegui encontrar. Apareceram misteriosamente depois, com uma cor diferente. As lojas que vendem de tudo, desde papelarias, lojas de vinil, artigos de pesca e outras especializadas em artigos de carnaval.

A Praça Cairú é um dos lugares mais quentes do universo. Diariamente, saia do comércio pra pegar meu filho em Itapoã. Isso mesmo, Itapoã (que merece um outro pequeno conto como esse). No retorno, após um almoço apressado e um concurso apertado para encontrar uma vaga na Conceição da Praia, caminho até a Rua Visconde do Rosário, bem perto do Mercado Modelo. Parece um deserto, não dá pra viver assim. Tento desesperadamente, encontrar algum lenitivo para este infortúnio quando, logo em frente ao Mercado Modelo, uma barraquinha de sorvete.

Uma barraquinha moderna, no estilo banca de revista e com uma placa onde lê-se: “Sorvetes, FEITO COM ÁGUA MINERAL !”. Por 90 centavos de real voce poderia sair de lá com primorosos minutos de frescor e sabor. ARRISQUEI ! Graviola, acho que foi meu primeiro sabor. Não tem como fazer um sorvete ruim de graviola, pensei ! Muito bom, delicioso para a agressão do sol a pino das 14h. Estava tão encalorado, saí e nem disse obrigado.

Numa segunda viagem, pude atentar mais demoradamente aquela paragem. O sorvete era servido por uma mulher. Aparentava ter entre 26 e 28 anos, branca, cabelos claros, estatura e peso medianos, sotaque diferente que, aliado à aparência, denotava origens sulistas talvez. Pedi um de ameixa, meu preferido e fiquei a observar aquela mulher colocando o sorvete no copinho de plástico. Passei a gozar de frequentes paradas, ainda incertas se pelo sabor e frescor do sorvete ou se pela súbita beleza e gentileza da atendente. Fiquei a elocubrar a vida daquela mulher. Porque alguem migraria do sul do país para a região nordeste, para montar um negócio de vendas de sorvete ? Será que ela é feliz ? Ou será que tem um namorado ? Após algumas visitas, em que eu maravilhara-me com o enrolar das bolas de sorvete e com o vislumbrar de tão delicada feição, encontro um homem no interior da barraquinha.

É seu marido, pensei. Um homem de igual semelhança, branco, cabelos sarará e olhos azuis como uma turmalina. Olhar fixo no além e não parecia expressar nenhum sentimento. Neste dia, talvez por me sentir cliente cativo (ou por um nervosismo não tão aparente) ela deixa transbordar o sorvete além do permitido pelo copinho. “Não se preocupe”, eu falei e fiquei a pensar se seria ralhada pelo ato impróprio para um comércio. Nesses dias, fiquei a lembrar da feição do homem, parecia infeliz, enquanto ela não parecia infeliz, mas também não parecia feliz.

Lembrei do Nelson Rodrigues, talvez por uma súbita vontade de um ato adúltero e pelos pensamentos de uma possível correspondência por parte dela. Pensei em um dia qualquer perguntar: “Seu marido deve se sentir agradecido por ter um sorvete desses todos os dias em casa, não é ?” para tentar extrair ilusões da resposta obtida. Nunca tive coragem. Afinal qual homem não seria feliz com uma mulher bonita e um sorvete delicioso em casa ? Qualquer um, pensava. A placa “FEITO COM ÁGUA MINERAL” foi retirada. Será que não é mais ? Fiquei a fantasiar meios para uma conversa mais duradoura, talvez um pedido de sorvete por encomenda.

Certo dia, num transbordar da agonia de um dilema mal resolvido e num súbito de coragem reservada, perguntei: “É voce mesma quem faz o sorvete ?”. Certo da resposta positiva, ela respondeu: “Não, é uma empresa chamada BahiaSoft”.

Neste momento, desapaixonei-me.

O programa mais ‘tosco’ da TV soteropolitana

And the winner is …

“Making Of” da TV Salvador. É caríssimo internauta, é o “retrato fiel da Bahia” … hehehe. Que tal a cobertura de um evento incrível como a “Feijoada Vip do … da … do …”, “da Dadá ?” Não, não … “Feijoada Vip de não-sei-quemzinho”, lá na Ribeira.

O evento estava repleto de celebridades: “E agora estamos aqui com o XXX”. Claro, XXX, quem é ele mesmo ? É famoso ? Ahh, é o cantor da banda Arrumba (Arromba ?) … ahhhh, já é famoso ele, é ? Hmm, sabia não ?

E atração principal da noite é a Banda Chimará (Xangrilá ou qualquer combinação de sílabas sem sentido que soe meio roots-reggae-alternativo). São músicos que tentam criar um gênero bacana (como os atuais afro-axé, pop-forró, axé-eletrônico e outras misturas utilizadas para se fazer de autêntico), com relativamente boas execuções, mas só falta uma coisa: estilo. E isso vem de educação, vivências, audições. Mas, sem preconceitos, é muito melhor que muita coisa que tem por aí.

E ao final, aparece o anfitrião da noite, o artista YYY (não lembrarei o nome certamente, mas como ?? Como ?? Ele é famoso !!). Do alto do seu caprichado mega-hair e da bermudinha jeans coladinha, ele desaba a cantar “Vai buscar Dalila”.

“Aiiiiii, eu quero ser Iveteeeee ! Poderosa”

Sobre a mediocridade da publicidade baiana

Hoje, 7 de abril, é o dia do jornalista ! E como tal eu não poderia deixar de ranzinzar coisas que ficam passando na minha cabeça.

Já há algum tempo o jornalismo (e certamente uma série de outras profissões) tem seus trabalhos direcionados para o lucro fácil, efemeridades e oportunismos. O cuidado com a linguagem e a utilização da mídia como um veículo para a educação do povo brasileiro são um sonho já inalcançável.

Nas pistas da Av. Paralela pode-se ver as mensagems “SO ONIBUS” (certamente deve estar sem acento mesmo). Subestima-se a inteligência da população. Claro, se estivesse lá: “Via Exclusiva para Ônibus” ninguem iria entender. Via ? Exclusiva ? Não pode. A mensagem deve ser de fácil acesso: “SO ONIBUS”, mais claro impossível.

Ouvimos no rádio todos os dias propagandas de muuuita, muuuita classe. Que tal um novo açougue inaugurado na cidade baixa cujo slogan é “Você é o nosso filé !!!”

Ou então outra falando sobre algum espaço para terapias holísticas. Diálogo:

– (Perua 1) Meniiiiiiiina, fui ontem no Espaço XXX e foi maravilhoso. Saí de lá totalmente zen.

– (Perua 2) Puxa, é mesmo. Eles têm uma equipe super maravilhosa.

– (Perua 1) Mas o melhor e que eu saí de lá zen. Muuuito zen. Zen stress, zen problemas, zen cansaço … ahahahaha

– (Perua 2) hahahaha

QUEM DISSE QUE ISSO TEM GRAÇA ? Quem disse que zen parece com sem ? Só se for uma fala do Porteiro Zé, o fanho mais famoso da Internet.

A prefeitura de Salvador também é autora de outras grandiosas contribuições à educação da nossa Soterópolis: a moda dos “banhos” … hehehe . “Banho de asfalto” em Cajazeira (sic), “banho de luz” em Paripe. Porque “banho” ? É banho de tudo ? Alguém aí quer um “banho de esgotamento sanitário” ? Ahhhhh …

O capitalismo impera e somos continuamente convencidos de coisas das quais não precisamos. Propaganda de uma certa fábrica de óculos:

– (Esposa perua) Aiii, que dúúúvida. (Sobre os óculos) Pretinho básico, o vermelho, ou o rosinha ?

– (Marido) Querida ? Cara de nerd, jornalista, esportista ou intelectual ?

Que tal “cara de gay” ? Vai com qualquer um porra !!!

Aff, cansei …

Vamos ranzinzar !!!

Olá todos os ranzinzas soteropolitanos e brasileiros. A cidade de Salvador é extremamente ‘ranzinzável’ e resolvi inaugurar este espaço para desabafar minhas ranzinzices. Vale falar de tudo, desde que seja realmente muuuito ranzinza ! Agora no momento até que estou um pouco controlado e menos ranzinza. Assim que aparecer meu primeiro ataque 🙂 eu posto aqui.

Abraços,

Aliás, abraços não … minha ranzinzice está chegando …